J.K. Rowling e a Cultura do cancelamento

Transfobia, cancelamento, boicote e tudo mais. Esse post vai ajudar a entender sobre esse coletivo, sem te cancelar.

Todo mundo conhece algum famoso que foi cancelado pelo tribunal da internet, certo?! Esse coletivo busca trazer uma represália para alguém que fez ou falou algo que desagradou o público consumidor.

Senta aí e acompanha esse conteúdo sobre a cultura do cancelamento e a relação disso com a mãe do Harry Potter. Mas, para começar precisamos entender melhor o que significa ser cancelado, então assiste esse vídeo aqui:


Esses episódios de ódio gratuito, humilhação e bullying infelizmente fazem parte da sociedade que estamos inseridos. Inclusive, o cinema já falou sobre isso muitas vezes e, por isso, separamos protagonistas que foram cancelados antes mesmo de existir tal cultura. Olha essa lista:

Carrie – A Estranha (2013):

Carrie é uma adolescente tímida e é extramente atormentada pelos colegas de escola por causa do seu jeito e da sua aparência. Ela é completamente menosprezada pelas meninas da escola e passa por episódios dolorosos de bullying.

Trailer legendado de Carrie – A Estranha (2013).

Extraordinário (2017): Auggie Pullman é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta. Essa sinopse é do adorocinema, que produziu uma crítica sobre Extraordinário.

Trailer dublado de Extraordinário (2017).

Degrassi: Esse grupo de séries de televisão, é parecido com Malhação, mas produzido no Canadá. As séries contam histórias de adolescentes que estudam na escola Degassi. Os seriados tratam temas como homossexualidade, auto-estima, abuso de drogas, bullying, racismo e entre outros assuntos relacionados a cultura do cancelamento.

Trailer oficial da temporada de Next Class, de Degrassi, produzido pela Netflix.

Glee (2009-2015): Na mesma pegada de série escolar, temos o musical de “Glee” cercado por temas importantes também. A trama tem uma pegada mista de música, drama, humor e crítica social, mostra a realidade de vários personagens sendo cancelados por ser gay, impopular, estrangeiro e etc. “Glee” é um clássico e uma das séries mais assistidas no mundo.

Trailer da primeira temporada de Glee (2009).

My mad fat diary (2013-2015): Essa série é aquelas que você tem vontade de abraçar a protagonista, sabe?! A história de Rae Earl uma adolescente de 16 anos, com baixa auto-estima, que sofre com comentários alheios sobre seu corpo, acaba sendo internada em um hospital psiquiátrico. O roteiro é em forma de diário o que leva o telespectador para dentro da história, vivendo as dores e angústias de Rae. O cinematecando preparou uma lista pontual para você começar hoje mesmo acompanhar a história de Rae.

Trailer de My Mad Fat Diary (2012).

Ainda existem filmes como Te pego lá fora (1987), Karatê Kid (2010), Um amor para recordar (2002), Meninas Malvadas (2004), entre muitos outros que retratam episódios de bullying, que levam os personagens a rechação pública e ao cancelamento.


AQUELA-QUE-NÃO-DEVE-SER-NOMEADA

A mãe de Harry Potter, se é que ainda podemos titular J.K. Rowling assim, dentro do mundo geek é o caso mais popular sobre cancelamento.

As coisas começaram a sair do controle quando Rowling ficou incomodada com o termo “pessoas que menstruam” citado por um artigo. Em sua conta no Twitter, ela escreveu que já existia uma palavra para definir isso, se referindo a “mulheres”. A expressão visa ser inclusiva para homens trans.

As acusações de transfobia contra a escritora vieram á tona depois do lançamento do seu novo livro, Troubled Blood. A obra conta a história de um homem que se veste como mulher para atacar outras mulheres. Os fãs acreditam que isso reforça o preconceito, já existente, contra transsexuais. Após esses episódios, os fãs decidiram adotar o boicote contra J.K. e fingir que Harry Potter não têm mais uma escritora. Por mais que a brincadeira possa parecer boba, isso revela tamanho o incômodo que os “potterhead” possuem com o desejo de continuar consumindo e falando de Harry Potter, mas sem dar crédito a autora.

Tal como Voldemort (ops, falei) vamos seguir tentando não nomear a escritora, nesse episódio do Protcast. Acompanhe:

No primeiro episódio do Protcast conversamos com Tullio Dias, diretor geral do Cinema de Buteco e com o jornalista Cae Vasconcelos, sobre a cultura do cancelamento, as acusações de transfobia contra a autora da saga “Harry Potter”, a separação de uma obra do seu autor, entre muitas outras reflexões sobre arte e entretenimento. Confira:

Ficar off das redes sociais?

Toda empresa se mantém nas mídias sociais para produzir e controlar, de certa forma, a narrativa da marca. “Esses canais facilitam muito a proximidade com a audiência, o que pode ser uma grande vantagem para demonstrar que a empresa se importa e preza por essa relação com os usuários da rede”, define Pedro Galvão, analista de redes sociais na start-up Rock Content. Apesar da Warner Bros. possuir direitos sobre Harry Potter, J.K. Rowling ainda é vista como a “proprietária”, portanto, qualquer fala dela afetará a marca. E se existe uma coisa que ela faz, é falar. Na sua conta no Twitter, a autora vive dando pitaco sobre vários assuntos. Os próprios fãs não curtem a presença dela na rede social.

Para relembrar a pesquisa da Mutato, citada no vídeo lá em cima, o boicote acontece quando os consumidores perdem a confiança em uma marca e param de consumir a mesma em forma de protesto. Se aplicamos essa lógica no nosso caso em questão, temos:

consumidores: potterheads e marca: Harry Potter.

Os fato dos fãs ignorarem a autora afeta a imagem dela no mundo e, como a saga está associada a ela, acaba recebendo estilhaços desse cancelamento. Pedro explica que o consumidor (fã) busca se encontrar na marca que ele consume. “Independente da opinião de qualquer empresa sobre qualquer tópico uma coisa é fato: as pessoas que se relacionam com sua marca buscam identificação. Portanto se sua marca fizer/falar algo que foge do que as pessoas esperam, isso pode repercutir negativamente”. É justamente o que uma parte dos potterhead desejam, que o mundo pare de consumir conteúdo relacionado a J.K. e deixar Hogwarts e toda história sem um “dono”.

A autora parece não se importar com a crise de imagem a qual foi submetida. Mas a Warner Bros., veio a público esclarecer que J.K. não tem nenhuma relação com o novo jogo sobre o bruxo. Para evitar essa associação criada pelo público entre a autora e tudo que acontece em torno da saga Harry Potter.

Na página de perguntas sobre o game, a organização chegou a criar uma pergunta sobre isso: “Qual o envolvimento de J.K. Rowling no jogo? Esta é uma nova história de J.K. Rowling?” e responde o tema da seguinte forma:

J.K. Rowling não está envolvida diretamente na criação do jogo, mas seu extraordinário corpo de escrita é a fundação para todos os projetos no Wizarding World. Esta não é uma nova história de J.K. Rowling“.

Warner Bros. Games.

A produtora não falou sobre valores, mas obviamente J.K. irá lucrar com o lançamento. Além da Warner Bros., o protagonista da saga, Daniel Radcliffe, também se posicionou contra os comentários da autora, para evitar associação a com a mesma.

As aflições de uma geração que aprendeu a ler com Harry Potter, e agora vê a criadora de uma obra tão querida se comportando de maneira errática, se assemelham a outros casos famosos de artistas problemáticos. Para os millennials e a geração Z, J.K. Rowling é a Horcrux no meio do caminho.

Autor: kawanna cordeiro.

não sou artista mas sou arteira.

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