A energia caótica de acumular assinaturas em canais de streaming

O dicionário define consumismo como “comprar em demasia”, a definição ainda se estende como “consumo ilimitado de bens duráveis”.

É fácil imaginar um consumista, como alguém andando no shopping segurando várias sacolas de várias lojas, ainda associamos isso a figura feminina. Ou ainda alguém que coleciona carros, relógios, ou mesmo viagens, comidas, entre várias outros itens. Porém, o consumismo também envolve coisas que não são necessariamente físicas e alcança todas as pessoas, um exemplo disso são as assinaturas em canais de steaming.

Pensa aí, quantas assinaturas você possui? E quantas delas você consome semanalmente?

A variedade de canais de streaming cresce a cada dia e na ganância de tentar assistir tudo acabamos nos envolvendo num emaranhado de assinaturas, que muitas vezes não são nem consumidas. “Em uma semana, eu não utilizo cada canal, porque eu tenho vários. Uso um ou dois com mais frequência e quando tem alguma coisa do meu interesse em outro eu acabo indo lá ver”, confessa a jornalista, Camila Torres, assinante em cinco canais de streaming. Mas porque nosso cérebro deseja ter acesso a tantos canais sendo que nos falta tempo para assistir? A psiquiatra Ana Zanchet, explica que o ato de comprar está ligado as nossas emoções. “Nosso cérebro possui um circuito de recompensa, que é ativado sempre que uma sensação prazerosa acontece. Forma-se então uma memória de que determinado comportamento gera prazer e a tendência é repeti-lo em busca dessas boas sensações”.

Ana ainda explica que isso é semelhante ao que acontece na dependência química e em outras compulsões, como as relacionadas a alimentação, jogos de azar, etc. “Surgem pensamentos intrusivos e repetitivos, chamados de obsessões, e o ato de comprar passa a ser urgente de modo a aliviar esses mal-estar interno”, ressalta.

No quadro a seguir a psiquiatra descreve o Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC), uma doença real, que exige tratamento psicológico.

Pessoas com dificuldade no manuseio do seu dinheiro não são necessariamente compulsivas, mas em alguns casos (cerca de 5% da população), isso pode representar uma síndrome psiquiátrica conhecida como “Transtorno do Comprar Compulsivo (TCC)” ou “Oniomania”. A Oniomania é um Transtorno do Controle de Impulsos caracterizado por uma obsessão em gastar dinheiro e um desejo de comprar coisas, geralmente resultando em prejuízos na vida do paciente, não apenas no âmbito financeiro, mas também nas relações sociais, visto que boa parte do tempo é dedicada a idealizar o consumo ou efetuando as compras. Alguns sinais importantes nos direcionam a este diagnóstico: comprar escondido dos familiares, comprar mais do que pode pagar, adquirir itens desnecessários, endividamento financeiro, ansiedade em períodos longos sem consumo, tentativas frustradas de controlar as compras. O diagnóstico é feito pelo médico Psiquiatra e o tratamento geralmente envolve uso de psicofármacos e psicoterapia, com o objetivo de melhorar o comportamento e aliviar o sofrimento do paciente.

Somado a essa vontade de comprar, outro fator que pode influenciar a aquisição é a necessidade de pertencimento. Quem aqui nunca me sentiu mal por todo mundo estar falando de uma série, ou filme, que você ainda não tinha visto?

“Eu já sacrifiquei horas de sono, ou que eu poderia estar fazendo outras coisas mais produtivas para assistir algo que estava todo mundo comentando”, confessa Camila. A psiquiatra também explica que a conexão humana é uma necessidade básica do indivíduo, independente da idade. “A identificação com outras pessoas, estabelecer laços emocionais e sentir-se parte de um grupo trazem uma sensação de segurança”, pontua.

Além disso, o uso das redes sociais facilitam a propagação de um conteúdo novo e os usuários acabam sentindo ainda mais essa necessidade de pertencimento. Graças ao postagens sobre a o conteúdo lançado, os memes, tudo isso influencia o internauta a assinatura, depois de consumir a novidade acaba deixando de lado sem fazer o cancelamento.

A voz dos consumistas…

Do outro lado, temos os fãs de assinaturas, que defendem seu consumo em prol do entretenimento. A época de que a galera recorria as profundezas da internet para conseguir baixar seus filmes e séries, já é passado, né. Graças ao streaming (amém), o conteúdo audiovisual se tornou muito mais acessível a todos.

Além da Camila, fomos atrás de mais consumistas, ou acumuladores de assinaturas. Nesse episódio do Protcast conversamos com o Kheven Dias, a Ethiene Peixoto e a Milena Martins, sobre esse “excesso” de canais assinados, os prós e contras do consumo, a pirataria, o acesso a esses canais e muito mais. Pega ai seu fone e vem escutar essa conversa super divertida.

Autor: kawanna cordeiro.

não sou artista mas sou arteira.

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