A onda de produzir remakes de sucesso apenas com mulheres

Representatividade ou lucro? Qual o intuito das releituras de franquias famosas protagonizadas por mulheres?

Elenco de Oito Mulheres e um Segredo. Foto: Michael Stewart/Getty Images

Historicamente, Hollywood nunca foi muito gentil com as mulheres. Dos primeiros filmes trazendo o estereótipo de mulheres ricas e malvadas em nossas mentes, ao teto de vidro quase inquebrável, a indústria cinematográfica favorece fortemente as produções dirigidas por homens.

Em muitos aspectos, Hollywood apenas reflete o que há na sociedade. Sendo assim, não é uma surpresa que o que move a indústria seja apenas uma exploração de temas maiores que já transitam pela sociedade.

O Fenômeno Jane Wick

Bom, você pode pensar que essa tendência recente de filmes liderados por mulheres, remakes e reboots na maior parte, como Ghostbusters (2016), Oito Mulheres e Um Segredo (2018), As trapaceiras (2019) e Adoráveis Mulheres (2019), é um ato de empoderamento feminino em busca de mais visibilidade.

Entretanto, quando você tem em mente que os filmes podem levar dois anos para serem produzidos, ainda mais quando se leva em consideração a elaboração e, em alguns casos, a troca de estúdio, a ideia de empoderamento parece ficar enfraquecida. Esses filmes já estavam em produção há anos quando o mundo se atentou para o fato de que as mulheres da indústria cinematográfica sofrem constantemente.

Então, qual é o problema com essas trocas de gênero? Coloquialmente conhecido como o fenômeno “Jane Wick”, em que uma franquia de sucesso é refeita com mulheres em papéis principais, um dos principais motivos por detrás dessas produções pode ser a razão comercial.

Atualmente, as mulheres têm alto poder de compra e conduzem a economia mundial. De acordo com a ConnectAmericas, rede empresarial das Américas criada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), desde 2014 as mulheres dominam o mercado global, movimentando mais de US$20 trilhões de gastos em consumo, confirmando que a economia feminina tem potencial para negócios muito lucrativos.

Os três filmes de maior bilheteria nos EUA em 2017 trouxeram protagonistas femininas: Star Wars: O Último Jedi (2017), A Bela e a Fera (2017) e Mulher Maravilha (2017). Isso prova que histórias voltadas para mulheres podem ir bem nas bilheterias mesmo quando não é simplesmente uma troca de protagonismo.

Hollywood tem um tipo de “queda” por remakes e reboots, e isso está cada vez mais evidente. Eles são apostas relativamente estáveis para o faturamento de bilheteria, graças a uma base de fãs pré-existente das franquias famosas.

O problema é que, quando você se têm chefes de estúdio produzindo histórias lideradas por mulheres, o que é um território considerado como novo, quando falamos de blockbuster, é preciso algum tipo de garantia do investimento, e qual a melhor maneira do que prometer isso através de uma franquia que, sem dúvida, venderá ingressos? O problema com essa dinâmica é que, como vimos com Ghostbusters (2016), ela tem grandes chances de falhar.

Confira o review de Ghostbusters (2016) pelo Rotten Tomatoes.

O que Hollywood deve melhorar

Tendo em vista que obras originais protagonizadas por mulheres são mais bem sucedidas, um ponto a ser considerado é a diminuição da velocidade da criação de remakes e reboots. Isso vale para ambos os sexos. Estúdios são liberados para filmar inúmeras histórias, graças às altas expectativas em franquias pré-aprovadas.

Outro ponto a se pensar: do que adianta introduzir mais conteúdo feminino quando, no final do processo, é um homem (ou grupo de homens) que produz tudo? Claramente histórias de mulheres atraem o público. O passo decisivo seria trazer para a tela obras mais genuínas e completas, o que certamente não virá por meio de homens pensando que sabem o que as mulheres querem.

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